quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O ZIDÃO É BIXO

Que belo exemplo de vida
toma hoje esta cidade!
Jamais se dá por vencida
é uma mostra de qualidade.

Mas o Zidão é assim mesmo,
está na raça, muito arrocho,
braço forte, cabeça erguia,
cuião grande e muito roxo.

Não tem nada de mais no que eu disse...
É verdade! Verdade verdadeira.
Ela era a mulher e o homem da casa!
Portanto, se é verdade, não é besteira!...

Para ser assim como a Zilda,
sabe, lá, o que é que eu acho?
Corajosa, valente, destemida,
Se for homem... Tem que ser é muito macho!...


 10 de dezembro de 2002.


                            DALTON RUIZ 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A VIDA DE SÃO JERÔNIMO E AS SAGRADAS ESCRITURAS

A revista VEJA, em sua edição de n l.833, de 17 de dezembro de 2003, tece um comentário a respeito da Bíblia, cujo título é “UM SANTO NEGÓCIO”.   Dá, ainda, na mesma edição, algumas informações: O Brasil já é o maior produtor mundial de Bíblias; desde a invenção da imprensa por Gutenberg, por volta do ano de l.440, a Bíblia mantém-se inabalável no posto de maior best-seller da história; segundo a Câmara Brasileira do Livro, em 2002 as editoras nacionais imprimiram nada menos do que 8,6 milhões de exemplares do  Livro Sagrado, ultrapassando os R$ 95.000.000,00;  encontram-se  atualmente no país doze traduções diferentes das Escrituras, que são exportadas para mais de 200 países       
                      A Bíblia, como ficou muito claro pelos dados fornecidos através da reportagem da Revista Veja, é o livro mais portado e lido no mundo Ocidental e com larga penetração nos países do Oriente. Mas o que chama a atenção é que o número de pessoas que levam, pregam ou simplesmente lêem a Bíblia, é quase tão grande quanto o numero de pessoas que nunca parou para pensar; como foi possível estar esse livro, aqui em minhas mãos, escrito em português, ou em que idioma tenha sido escrito, se os seus originais, foram escritos em: hebraico, aramaico e grego.  É evidente que se alguma coisa foi escrita em um idioma diferente daquele que é conhecido do leitor é porque houve uma tradução.   Ocorre que nesse caso, o inusitado da coisa está em que o feito é de uma complexidade tão grande, que provavelmente até mesmo hoje, com toda a tecnologia disponível, com o uso de computadores além de material didático de última geração, usado por professores e técnicos da mais alta capacidade, adquirida em escolas e laboratórios competentes para descobrir qualquer segredo, não só na terra como em qualquer parte do universo, dispondo, ainda, de cerca de l.700 anos a mais para realizar essa tarefa, pois mesmo assim, com todos esses adiantamentos, talvez o ser humano ainda não tenha condições de fazer a tradução da Bíblia dispondo apenas dos elementos originais, dados, à época, ao seu tradutor, pois das três línguas antes citadas, duas pelo menos, à época eram consideradas mortas.        O HEBRAICO, língua semítica do tronco Cananeu, (A língua de Canaã antes da conquista Israelita, e cuja evolução originou o idioma Hebraico), através da qual foi escrita grande parte da Bíblia, (especialmente o Novo Testamento) e que naquela época (época da sua tradução, iniciada por volta do ano 383), era considerada uma língua morta, tendo, somente em fins do século XIX, voltado a ser falada novamente, com o SIONISMO, (movimento político religioso) que visava o restabelecimento, na Palestina, de um Estado Judaico e que se tornou vitorioso em maio de l.948.  O hebraico, é hoje, a língua oficial do Estado de Israel. O  ARAMAICO, (língua falada pelos arameus entre os anos 650 a 300 a. C.), também considerada morta por vários séculos, é hoje falada no Irã, Iraque e na Síria, porém, o neo-aramaico ou neo-siríaco, ou seja, um aramaico moderno e que possui registros e características oficiais naqueles países; e o  GREGO idioma indo-europeu,  que embora  nunca tenha deixado de existir como idioma, é muito pouco difundido no mundo até hoje, bem como muito pouco falado fora da Grécia e na parte grega da Ilha de Chipre.      
                      Evidentemente, que se um livro foi escrito originalmente em três idiomas, entre os quais, dois pelo menos eram considerados línguas mortas, (à época da tradução da Bíblia) e o outro encerrando em si uma complexidade tão grande que não seria exagero considera-lo, na ocasião, como indecifrável, a fim de traduzir para o Latim, em função do grande número de influências externas criadas pelas alterações acontecidas por causa dos dialetos que o cercava e por via de conseqüências geram um número muito grande de dificuldades para realizar a referida tradução, que, quem sabe, nem mesmo os super computadores da “NASA” e os seus cientistas pudessem fazer essa tradução, pois a referida obra ao que tudo indica, não dependia somente de conhecimentos ao alcance do homem, mas também de coisas que somente o Espírito Santo sabe e em seus desígnios deu apenas ao seu escolhido, São Jerônimo.               
                      A respeito da tradução da Bíblia, feita por São Jerônimo, Clemente VIII afirma que ele foi assistido e inspirado pelo Espírito Santo.  Tornando-se, por esse motivo, a tradução oficial da Igreja.   São dele as palavras: “Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”.  Pensando nisso, parece importante lembrar que se, não tivesse São Jerônimo sob a assistência e inspiração do Divino Espírito Santo, quando realizou a tradução das Sagradas Escrituras, certamente Elas nem fossem mais lembradas nos dias de hoje, porque jamais seriam entendidas  e as coisas que não são entendidas caem no esquecimento.     
                     São Jerônimo é o maior Doutor da Igreja Católica, sustentáculo do cristianismo, pois sem o seu trabalho, certamente esse já teria desaparecido, filho muito querido de Cristo, que o formou para dar continuidade à sua Doutrina. Nasceu na Dalmácia, (Iugoslávia), no ano de 340, de pais cristãos, nobres e muito ricos. 
                     A vida de São Jerônimo é tão extraordinária que   se torna impossível resumi-la em poucas páginas, (os trabalhos a respeito da vida dele, hoje disponíveis, superam as cinco mil folhas, segundo informação).    Dele diz o eminente jesuíta, Pe. Pedro Ribadaneira, discípulo e biógrafo de Santo Inácio de Loyola. “Foi eloqüentíssimo, sapientíssimo nas línguas e ciências humanas e divinas; na vida, espelho de penitência e santidade; luz da igreja e singular intérprete da Divina Escritura, martelo dos hereges, amparo dos católicos, mestre de todos os estados e condições de vida e luzeiro do mundo”. (Dr. Eduardo Maria Vilarrasa. La LevendaCompañia. Barcelona. 1897). 
                     Numa era muito conturbada para a Igreja, como  foi o final do século IV e a primeira metade do século V, surgiram simultaneamente na cristandade grandes luzeiros de santidade e ciência, tanto no Oriente como no Ocidente: Santo Hilário - Bispo de Poitiers, Santo Ambrósio - de Milão, o grande Santo Agostinho - “Águia de Hipona” que com São Jerônimo, formam o ilustre grupo dos chamados Quatro Grandes Padres da Igreja Latina daquela época. 
                     Dotado de precoces aptidões para os estudos, o pai mandou Jerônimo, ainda adolescente para estudar em Roma, então capital do mundo civilizado.  Na cidade eterna, dedicou-se ao estudo da gramática, retórica e filosofia.   Tal era o seu gosto pelos escritores clássicos, que formou para si rica biblioteca, copiando a mão os livros que não conseguia obter.   Com dor, reconheceria depois, que em sua inexperiência tornou-se vítima do ambiente mundano da grande e decadente metrópole, extraviando-se do bom caminho.  Deus permitiu que o demônio o assaltasse constantemente com tentações da carne; e para combatê-las, Jerônimo dilacerava seu corpo e entregava-se a jejuns que duravam às vezes semanas inteiras.     Porém ao mesmo tempo declara que seu passatempo aos domingos consistia em visitar as catacumbas e as relíquias dos mártires, além de ser catecúmeno, (que se prepara e instrui para o batismo), pois, a época, a pessoa recebia o santo batismo já quase na idade adulta.      
                     Foi batizado aos 25 anos pelo Papa Libério, em Roma.   Depois de batizado, Jerônimo juntamente com bonoso, seu irmão de Leite, empreendeu uma viagem de estudos as Gàlias.   Em Treveris, onde havia uma das academias mais doutas do Ocidente, decidiu entregar-se inteiramente ao serviço de Deus. Continuou entretanto sua viagem de estudos pelo Grécia e cidades do Oriente Médio.   Aproveitou então para aprender o hebreu com  um judeu converso, a fim de poder melhor estudar as Sagradas Escrituras em seus originais que havia disponíveis na sede da Igreja, em Roma.  
                     Afirma ele em uma de suas cartas: “as fadigas que isso me causou e os esforços que me custaram, só Deus sabe  quantas vezes desanimei, quantas voltei atrás e tornei a começar pelo desejo de saber; sei-o eu que passei por isso, e sabem-no também os que viviam na minha companhia.  Agora dou graças ao Senhor, pois que colho os saborosos frutos das raízes amargas dos estudos”. (pe. José leite, Santos de Cada Dia, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 1987, vol. III, p. 104).      Foi um grande escritor do seu tempo, capaz de pensar em latim, grego e hebraico.
                     Era escritor, filósofo, teólogo, retórico, gramático, dialético, historiador e exegeta.  Glossário:  (filósofo aquele que se caracteriza pela intenção de ampliar a compreensão da realidade, no sentido de entende-la na sua totalidade) - (teólogo aquele que estuda de forma racional os textos sagrados, os dogmas e as tradições do cristianismo) - (retórico os oradores aqueles que usam a linguagem de forma eloqüente persuasiva) - (dialético aquele que possui a arte de dialogar, de argumentar, de discutir com a intenção de se fazer entender) - (exegeta aquele que busca esclarecimento ou minuciosa interpretação de textos ou livros, especialmente aplica-se a Bíblia).   
                     Sua primeira inserção nos quadros da Igreja foi como monge.   Com 30 anos de idade, recebeu em Antioquia a ordenação sacerdotal, sob a condição de não ficar sujeito a nenhuma diocese e continuar monge como antes.
                     Dirigiu-se, depois a Constantinopla, para ver e ouvir São Gregório Nanzianzeno, conhecido por sua erudição, como teólogo.   Lá permaneceu três anos, travando amizade também com os grandes luminares da Igreja Ocidental, São Basílio e seu irmão São Gregório de Nissa.
                     As heresias pululavam, principalmente no Oriente, e tal era a confusão que o Imperador Teodósio e o Papa Damaso resolveram convocar um sínodo (assembléia de Bispos do mundo inteiro, convocada e presidida pelo Papa)  em Roma.   São Jerônimo foi convidado a dele participar.  Tendo sido escolhido para desempenhar a função de secretário, no lugar de Santo Ambrósio, que adoecera.   Terminado o sínodo, São Damaso conservou Jerônimo como seu secretário.   Na condição de secretário particular do Papa, Jerônimo foi encarregado de realizar a tradução da Bíblia para o Latim. Essa obra ficou conhecida como Vulgata (do latim “vulgare”, que significa uso comum).   Foi encarregado também pelo Papa de responder a todas as questões que se referissem à religião, de esclarecer as dificuldades e relacionamentos entre as igrejas e as dioceses, de prescrever àqueles que voltavam das heresias o que deveriam crer ou não e de estabelecer, para isso, regras e fórmulas. (Lês Petits Bollandistes, Viés dês Saints, d’après le Père Giry, par Mgr. Paul Guérin, Bloud et Barral, Libraires – Éditeurs, Paris, 1882, tono XI, p. 565).
                  Enquanto viveu São Damaso, Jerônimo permaneceu em Roma.  “Todos acorriam a ele, e cada qual procurava ganhar-lhe a vontade: uns louvavam sua santidade, outros a doutrina, outros sua doçura e trato suave e benigno.  Finalmente todos tinham postos os olhos nele como em um espelho de toda virtude, de penitência e oráculo de sabedoria. (Pe. Ribadaneira, op. cit. p. 645).        
                     Um grupo de senhoras e moças romanas da mais alta aristocracia colocou-se a sua disposição espiritual, entre elas: Santa Paula e suas filhas Paulina, Estóquia, Blesilla e Rufina; Santa Marcela, Albina, Asela, Leta e outras.   Para elas fundou um convento.  Converteu e atraiu, alguns homens, para os quais fundou, também, um mosteiro em Roma.  
                     Em 384 faleceu São Damaso, que era de origem espanhola nascido pelo ano de 305 e era irmão de Santa Irene.  Durante o seu pontificado houve uma explosão  de ritos, de orações, de peregrinações, com novas instituições litúrgicas e catequéticas, alem da nova versão da Bíblia, em latim (chamada Vulgata), feita por seu Secretário Particular.   São Jerônimo atesta que ele morreu com quase oitenta anos.  Foi sepultado no túmulo que ele mesmo havia preparado, humildemente, longe das cinzas dos mártires, ao longo da via Ardeatina.  Seus restos mortais foram exumados e levados à Igreja de São Lourenço em Damaso.  Após o passamento do  Papa Damaso, São Jerônimo deixou definitivamente Roma e voltou para a Terra Santa, estabelecendo-se  em Belém.  Seguiram-no Santa Paula e sua filha Eudóxia.  Com o rico patrimônio que dispunham, fundaram sob a sua direção, um mosteiro masculino e um convento dirigido por Santa Paula. São Jerônimo viveu 34 anos em Belém, período em que passou escrevendo obras notáveis, e dirigindo por correspondência, inúmera almas.
                     Houve um princípio de polêmica entre São Jerônimo e Santo Agostinho, por um mal entendido entre os dois doutores da Igreja.   Colocadas, as coisas, em seus devidos lugares, uma grande amizade cheia de respeito e admiração os uniu.                    
Jerônimo dizia que Santo Agostinho “era seu filho em idade e seu pai em dignidade” uma vez que era Bispo.  Por seu lado, o Bispo de Hipona escreveu-lhe: “li dois escritos vossos que me caíram nas mãos, e achei-os tão ricos e plenos que não quereria para aproveitar em meus estudos, senão poder estar sempre a vosso lado”.  (Edelvives, El Santo de Cada Día, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1955, tomo V, p. 307).
                     Entretanto, os bárbaros começaram suas grandes invasões.  Em 395, os ferozes Hunos, vindos pela Armènis, espalharam o terror no Ocidente chegando até o Egito.  Em 410, Alarico, rei dos Godos, destruiu cidades da Grécia e pilhou Roma.  Muitas famílias fugiram para a Terra Santa e foram socorridas por São Jerônimo e Santa Paula.
                     Todos se espantavam pelo fato de São Jerônimo, tão enfermo que tinha que ditar suas obras, pudesse produzir tanto em tão pouco tempo.  Em três dias, traduziu ele os Livros de Salomão, e num só dia verteu para o latim o livro de Tobias que estava em Caldaico.  Em 15 dias ditou os comentários sobre São Mateus.  Ao mesmo tempo ditava apologias do Cristianismo contra os erros dos hereges da época e refutações meticulosas de suas doutrinas.
                     “Que doutor da Igreja há que trate as coisas sagradas com tão grande majestade; as chãs com tanta erudição, as ásperas com tanta eloqüência, as obscuras com tanta luz, que assim se sirva de todas as ciências, divinas e humanas, para explicar e pôr aos nossos olhos os mistérios de nossa santíssima religião?”, pergunta um autor. (Pe. Ribadaneira, op. Cit. p. 644.).  
                      O empenho insuperável de São Jerônimo na tradução das Escrituras foi por ele mesmo assim descrito: “Cumpro o meu dever, obedecendo aos preceitos de Cristo que diz: examinai as Escrituras e procurai e encontrareis”, para que não tenhais de ouvir o que foi dito aos judeus: “Estais enganados, porque não conheceis as Escrituras nem o poder de Deus”.  Se, de fato, como diz o Apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, aquele que não conhece as Escrituras não conhece o poder de Deus nem a sua sabedoria.  Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo.  (Pe. José Leite, op. Cit. p. 106).
                   São Jerônimo morreu no dia 30 de setembro de 420                            
Avançado em idade e virtudes.  No mesmo dia apareceu a Santo Agostinho e desvendava-lhe o estado das almas bem-aventuradas  no Céu.


                           16 de dezembro de 2005.


                                         DALTON JOSÉ RUIZ

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Chá de panela

A tal festa do chá de panela,
não é daquelas que vai quem quer...
Pois nela não entra homem
é feita só pra mulher.


Ainda é cheia de alegria
                    e sempre muito animada.
                    A diferença é que hoje em dia,
                    quase sempre, “elas” são furadas! 

 

Na panela, fizeram comida
e o uso tirou-lhe o brilho.
As noivas foram fudidas
e, muitas vezes, tem até filhos!...


O cabaço, hoje, é um ausente,
possuí-lo, até serve de intriga,
o que interessa, são os presentes.
Honra, virgindade, já ninguém liga!...  


03 de março de l999.

 DALTON RUIZ

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

COLAR DE PÉROLAS

O mais belo colar de pérolas
daqueles de duas voltas!
Ao vê-lo ornamentar tua boca,
meu pensamento se solta.

Frenético, quase a perder o juízo!
vaidoso, contemplo, todo prosa!...
Prostrando-me à sorriso,
Aspiro, sua fragrância de rosas.

Meu coração quase pára,
quando sorris para mim.
Eu me sinto embevecido,
a razão, quase chegando ao fim.

O branco porcelanizado,
que eu vejo no teu sorriso,
é tudo de que preciso,
para viver encantado.

Comtemplativo, misterioso,
Misticamente irreal, desnaturado,
que, contudo, me mantém
docemente apaixonado.

Sublime, arca do meu tesouro;
não contendo diamantes lapidados,
nem mesmo metal como o ouro...
Apenas o teu sorrriso,
do mais belo branco perolizado.


      19 de setembro de 2009
DALTON RUIZ

No dia 19 de setembro de 1959, às 18:00 h, na igreja de N.S.da Conceição em S.Jerônimo, foi razada uma missa especial para  a realização do meu casamentocom a então senhorita Norma Ehlers.
50 anos depois embora o tempo tenha mudado nossas fisionamias, eu ainda a vejo da mesma forma, talvez assim, como num conto de fadas. Na minha retina ela continua sendo vista como numa fotografia, mantém-se sem qualquer alteração na sua imagemde menina moças 17 anos, tal qual ela era naquele dia.
A mesma doçura do seu olhar e a mesma beleza do seu sorriso

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

PETIÇO MINILIQUE


Eu tenho um petiço tostado,
malacara,  e o resto do pelo sem mancha.
Gordo e sempre bem encilhado,
me enche os bolsos de plata,
cada vez que eu vou numa cancha.

Meu petiço é bem domado
e só faz aquilo que eu deixo...
Por mim ele foi encilhado...
Eu mesmo botei-lhe  os arreios,
eu mesmo  quebrei-lhe o queixo 


Quando em vou visitar minha prenda 
a galopito estrada ha fora...
Pra que ele sempre me entenda,
não paro em bolichonem venda,
vou só beliscando na espora.


Meu petiço é bem domado,
cumprimentaestendendo a mão...
Sai galopeando de lado
e eu fico todo entonado,
vaidoso como um pavão.


No seu trotear balançado,
Ligeiro e sempre mui bem ferrado,
faisca os cascos no chão...
Parece estar ritmado,
o bater do meu coração.




            maio de 1983
DALTON RUIZ

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

MEU CORAÇÃO CABORTEIRO

Meu coração caborteiro,
me mete em cada entrevero!...
Vejam só o que ele me fez,
mal me livrei de uma china,
se apaixonou outra vez. 

Ando sempre complicado,
as voltas com esse danado!
Pode ser, até, que me engane,
mas acho que outra vez, esse infame,
encontrou o amor errado!

Acontece na vida da gente,
o destino nos põe na mão.
Foi assim que de repente,
sem saber o que ele sente,
me falseou o coração.

Sei que ninguém acredita,
outra vez aconteceu,
fiquei parado na fita,
foi só ver mulher bonita,
ele já estremeceu.

De cara ela é muito linda,
o  porte é de uma rainha,
de  corpo ela é uma beldade,
também,  muito boazinha,
mas  puta barbaridade!

Meu coração,  é  potro alçado,
e, sabe, sempre, onde se mete;
Nunca foi tocado por  diante,
Não se maneia em barbante
E nunca foi apertado num brete.

Quando pensarem que ele está  preso,
Parecendo  estourar de paixão,
e, que,  já foi pealado,
sai   galopeando  de lado,   
Tirando o laço das mãos.        


         23 de agosto de 1984

DALTON RUIZ

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

BAÚ DA MINHA SAUDADE


Acampei numa figueira,
à beira de um sangão...
Meu trinta e meu cusco baio,
cuidavam da proteção.

Da badana fiz lençol,
dos pelegos meu colchão
e a direita, sempre livre,
junto ao cabo do facão.

A cabeça no sirigote
e a china sobre o meu peito,
                       o coração andando a trote,
                       num  tranquito sem defeito.

Noite fria, de geada...
E a lua!?... Que lindo clarão,
meu pala aquecia o corpo
e a china o meu coração.

Hoje, eu conto pra vocês
sem nenhuma vaidade,
passagens da minha vida,
lá na minha mocidade.

Passagens da minha vida,
lá na minha mocidade;
que estavam quase esquecidas,
no baú da minha saudade.


   l5/07/97.

         DALTON RUIZ 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

PERSISTIR É TOLICE

              
Agente morre aprendendo
e ainda falta lição!
Quantas vezes que em cedendo,
está a firmeza da mão,
se o que foi feito não serve,
deve-se terminar desfazendo.

Se o caráter de uma pessoa
tem a marca da firmeza,
nos ensinou a vivência;
recuar não é fraqueza
e às vezes flexionar
é sinal de inteligência.

A vida nos tem mostrado,
que corrigir é o mais certo;
errar não é pecado
e não quer dizer burrice!...
Se o que foi feito é errado,
persistir, sim, é tolice.   



21 de outubro de 1985
 O Sindicato havia determinado que todos os servidores da previdência deveriam entrar em greve. Por esse motivo foi convocada uma reunião para decidir se devíamos ou não aceitar a determinação.   Procurando agir com prudência, eu insistia que para entrar em greve nós deveríamos conhecer os motivos, as razões pelas quais a referida greve havia sido convocada, enquanto que um grupo, radicalizando a questão queria a greve a qualquer custo.   Na qualidade de Agente, eu era visto como um reacionário. Nada me restando a fazer, compus essa poesia, baseada no ditado que diz: (errar é humano, persistir é tolice).  

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CAMINHO DOS CARRETEIROS

                                                        
Buenas seu dotô...
O senhor é engenheiro?
Daqueles, fazedor de estrada?
Pois eu, de estudo não tenho nada,
sou apenas um carreteiro!...
Nestas terras antes abandonadas,
carregando cargas pelos caminhos;
pra  fazendeiros  e donos de bodegas,
eu as deixava todas  riscadas,
mas é verdade, não foi sozinho;
havia outros carreteiros meus colegas:
Manoel José (o Camondongo), tio Vicente,
Pedro Maruca e Gracilhaninho...
Nada de aparelho, papel e nem prancheta.
Guiados pelo sol e pela lua,
usando as rodas das carretas...
Sem nivelamento nem prumo,
riscamos estradas;
para todos os nortes e rumos.
As estradas foram feitas, mesmo, assim.
Não sou doutor, político, nem Juiz!...
Por isso, ninguém se lembra de mim!
Fui esquecido, a história, assim, quis,
Só não podem esquecer,
as inúmeras estradas que eu fiz!...


27 de agosto de l983.

DALTON RUIZ

    No bairro onde eu me criei, Passo D’Areia, em S. Jerônimo, o meu avô se estabeleceu com um armazém.  Ao lado, à beira da estrada, o meu pai construiu um galpão; com tarimbas e um fogo de chão, para que os carreteiros que vinham ao porto da cidade, buscar as cargas para as diversas localidades; Ratos, Butiá, Barão Leão etc., tivessem um local para abrigo e descanso; próprio e dos seus animais, (pois foi reservado um potreiro para soltar os bois de canga ou cavalos dos carroceiros); o contato, a amizade e as conversas
com aqueles profissionais do transporte de cargas por tração animal, me fez
pensar como eles foram importantes para o desbravamento da região.  Obs.
Os carreteiros mencionados na poesia, realmente existiram, assim como dezenas de outros que desfrutavam daquele local para descansar. DALTON.

ANITAS GARIBALDI

 

Somos todas Anitas guerreiras
e mostramos que somos capazes...
A razão é nossa canhoneira, porque,
nossa luta é uma luta de paz!...

Pelejando;
sem nos entregar,
muito menos sair dessa trilha,
seja lá o que venha a encontrar,
cruzaremos com nossas famílias.

Conservando os ideais farroupilha,
somos Anitas Garibaldi modernas:
não fazemos guerra, nem guerrilha,
somos eleitas
ou elegemos a quem nos governa.

Nossos cavalos,
nossa encilha,
nosso trono que caminha.
Nossos lares,
nossa realeza,
somos monarcas,
somos rainhas.


    
   l0 de janeiro de 2001.
                                   DALTON  RUIZ



Entusiasmado com um desfile das Anitas Garibaldi, que assisti num dia Sete de Setembro, eu resolvi compor um Hino para homenageá-las. Mas não só aquelas que desfilavam, todas as mulheres, (anitas), gaúchas e catarinenses, que com a mesma coragem e destemor enfrentam, hoje, a guerra do dia a dia, trabalhando fora, cuidando dos filhos, da casa, do marido e ainda responder por seus próprios atos como cidadãs responsáveis pela terra onde vivem, e principalmente sem perder o compromisso de enfeitar o mundo com a sua graça e a sua beleza.  O amor, a admiração, o carinho tudo que eu sinto pelas mulheres; no dia 19/09/07, vai fazer 48 anos que dedico única e exclusivamente a minha Anita Norma, da forma mais absoluta e prazerosa que existe no mundo. Eu gostaria dizer que esse hino já foi gravado em CD, com música e voz de Marcelo Dual, ao teclado, (lindo, lindo!), fosse transformado no hino das Anitas, em Santa Cat. no  Rio G. do Sul, orquestrado e gravado com voz feminina e que ele servisse de estímulo ao surgimento de um maior  número de piquetes de Anitas nos dois Estados a que ela pertenceu.
                   

sábado, 23 de outubro de 2010

Futuro-Passado-Presente

     Ninguém sabe quando será
     nem futuro, nem presente...
     O passado já se sabe,
     o será eternamente!
    

     O futuro, hoje é presente,
     que o passado encaminhou,
     ninguém pode estar ausente,
     se ao seu futuro chegou!


     Do passado, hoje o presente,
     no futuro que será?
     O passado, certamente,
     pois um dia passará!...


     No futuro certamente,
     o passado a todos dirá.
     --É preciso estar presente
     para o futuro chegar...

29 de agosto de 1991.
Dalton Ruiz

Brincando com palavras,
resolvi filosofar...
Futuro, passado e presente,
eu escolhi para brincar.
Os três tempos
que passam pela vida da gente.
Fatalmente, levam a todos nós
e o mais incrível, ninguém sente!...

    

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

UM A ZERO


                Time grande é assim,
              Já sai de casa com a vitória contada,
              com a vitória na mão,
              Muitas vezes se ganha
              Porque o juiz é ladrão.


              Um a zero,
              Aos cinqüenta minutos,
              E o gol foi marcado
              De impedimento
              E pior, com a mão.

Pai

Na minha memória, bem clara,
Eu posso vê-lo.
Teus olhos, teus passos lentos
E a prata dos teus cabelos.


Quantas vezes minhas veredas
Foram por ti corrigidas...
Até hoje serves de guia
Aos rumos da minha vida!


Pai! Quando eu o tinha comigo
Não conseguia entendê-lo...
Agora que o entendo...
Que pena! Não posso tê-lo.


Dalton José Ruiz , 1983



Quando eu era mais jovem, todos os motivos serviam
 para que  um discordasse do outro;  futebol, carnaval,
 política,  trabalho,  tudo em fim, servia  para uma boa
 briga  (na verdade discussão)   entre  eu e o meu pai.
 Quando ele morreu eu fiquei como um coxo que perdeu 
 a muleta.  Só eu sei a falta que me faziam aquelas 
 brigas, daí que me veio a inspiração para 
escrever esta poesia.