Buenas seu dotô...
O senhor é engenheiro?
O senhor é engenheiro?
Daqueles, fazedor de estrada?
Pois eu, de estudo não tenho nada,
sou apenas um carreteiro!...
Nestas terras antes abandonadas,
carregando cargas pelos caminhos;
pra fazendeiros e donos de bodegas,
eu as deixava todas riscadas,
mas é verdade, não foi sozinho;
havia outros carreteiros meus colegas:
Manoel José (o Camondongo), tio Vicente,
Pedro Maruca e Gracilhaninho...
Nada de aparelho, papel e nem prancheta.
Guiados pelo sol e pela lua,
usando as rodas das carretas...
Sem nivelamento nem prumo,
riscamos estradas;
para todos os nortes e rumos.
As estradas foram feitas, mesmo, assim.
Não sou doutor, político, nem Juiz!...
Por isso, ninguém se lembra de mim!
Fui esquecido, a história, assim, quis,
Só não podem esquecer,
as inúmeras estradas que eu fiz!...
27 de agosto de l983.
DALTON RUIZ
No bairro onde eu me criei, Passo D’Areia, em S. Jerônimo, o meu avô se estabeleceu com um armazém. Ao lado, à beira da estrada, o meu pai construiu um galpão; com tarimbas e um fogo de chão, para que os carreteiros que vinham ao porto da cidade, buscar as cargas para as diversas localidades; Ratos, Butiá, Barão Leão etc., tivessem um local para abrigo e descanso; próprio e dos seus animais, (pois foi reservado um potreiro para soltar os bois de canga ou cavalos dos carroceiros); o contato, a amizade e as conversas
com aqueles profissionais do transporte de cargas por tração animal, me fez
pensar como eles foram importantes para o desbravamento da região. Obs.
Os carreteiros mencionados na poesia, realmente existiram, assim como dezenas de outros que desfrutavam daquele local para descansar. DALTON.
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