quinta-feira, 25 de novembro de 2010

MEU CORAÇÃO CABORTEIRO

Meu coração caborteiro,
me mete em cada entrevero!...
Vejam só o que ele me fez,
mal me livrei de uma china,
se apaixonou outra vez. 

Ando sempre complicado,
as voltas com esse danado!
Pode ser, até, que me engane,
mas acho que outra vez, esse infame,
encontrou o amor errado!

Acontece na vida da gente,
o destino nos põe na mão.
Foi assim que de repente,
sem saber o que ele sente,
me falseou o coração.

Sei que ninguém acredita,
outra vez aconteceu,
fiquei parado na fita,
foi só ver mulher bonita,
ele já estremeceu.

De cara ela é muito linda,
o  porte é de uma rainha,
de  corpo ela é uma beldade,
também,  muito boazinha,
mas  puta barbaridade!

Meu coração,  é  potro alçado,
e, sabe, sempre, onde se mete;
Nunca foi tocado por  diante,
Não se maneia em barbante
E nunca foi apertado num brete.

Quando pensarem que ele está  preso,
Parecendo  estourar de paixão,
e, que,  já foi pealado,
sai   galopeando  de lado,   
Tirando o laço das mãos.        


         23 de agosto de 1984

DALTON RUIZ

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

BAÚ DA MINHA SAUDADE


Acampei numa figueira,
à beira de um sangão...
Meu trinta e meu cusco baio,
cuidavam da proteção.

Da badana fiz lençol,
dos pelegos meu colchão
e a direita, sempre livre,
junto ao cabo do facão.

A cabeça no sirigote
e a china sobre o meu peito,
                       o coração andando a trote,
                       num  tranquito sem defeito.

Noite fria, de geada...
E a lua!?... Que lindo clarão,
meu pala aquecia o corpo
e a china o meu coração.

Hoje, eu conto pra vocês
sem nenhuma vaidade,
passagens da minha vida,
lá na minha mocidade.

Passagens da minha vida,
lá na minha mocidade;
que estavam quase esquecidas,
no baú da minha saudade.


   l5/07/97.

         DALTON RUIZ 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

PERSISTIR É TOLICE

              
Agente morre aprendendo
e ainda falta lição!
Quantas vezes que em cedendo,
está a firmeza da mão,
se o que foi feito não serve,
deve-se terminar desfazendo.

Se o caráter de uma pessoa
tem a marca da firmeza,
nos ensinou a vivência;
recuar não é fraqueza
e às vezes flexionar
é sinal de inteligência.

A vida nos tem mostrado,
que corrigir é o mais certo;
errar não é pecado
e não quer dizer burrice!...
Se o que foi feito é errado,
persistir, sim, é tolice.   



21 de outubro de 1985
 O Sindicato havia determinado que todos os servidores da previdência deveriam entrar em greve. Por esse motivo foi convocada uma reunião para decidir se devíamos ou não aceitar a determinação.   Procurando agir com prudência, eu insistia que para entrar em greve nós deveríamos conhecer os motivos, as razões pelas quais a referida greve havia sido convocada, enquanto que um grupo, radicalizando a questão queria a greve a qualquer custo.   Na qualidade de Agente, eu era visto como um reacionário. Nada me restando a fazer, compus essa poesia, baseada no ditado que diz: (errar é humano, persistir é tolice).  

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CAMINHO DOS CARRETEIROS

                                                        
Buenas seu dotô...
O senhor é engenheiro?
Daqueles, fazedor de estrada?
Pois eu, de estudo não tenho nada,
sou apenas um carreteiro!...
Nestas terras antes abandonadas,
carregando cargas pelos caminhos;
pra  fazendeiros  e donos de bodegas,
eu as deixava todas  riscadas,
mas é verdade, não foi sozinho;
havia outros carreteiros meus colegas:
Manoel José (o Camondongo), tio Vicente,
Pedro Maruca e Gracilhaninho...
Nada de aparelho, papel e nem prancheta.
Guiados pelo sol e pela lua,
usando as rodas das carretas...
Sem nivelamento nem prumo,
riscamos estradas;
para todos os nortes e rumos.
As estradas foram feitas, mesmo, assim.
Não sou doutor, político, nem Juiz!...
Por isso, ninguém se lembra de mim!
Fui esquecido, a história, assim, quis,
Só não podem esquecer,
as inúmeras estradas que eu fiz!...


27 de agosto de l983.

DALTON RUIZ

    No bairro onde eu me criei, Passo D’Areia, em S. Jerônimo, o meu avô se estabeleceu com um armazém.  Ao lado, à beira da estrada, o meu pai construiu um galpão; com tarimbas e um fogo de chão, para que os carreteiros que vinham ao porto da cidade, buscar as cargas para as diversas localidades; Ratos, Butiá, Barão Leão etc., tivessem um local para abrigo e descanso; próprio e dos seus animais, (pois foi reservado um potreiro para soltar os bois de canga ou cavalos dos carroceiros); o contato, a amizade e as conversas
com aqueles profissionais do transporte de cargas por tração animal, me fez
pensar como eles foram importantes para o desbravamento da região.  Obs.
Os carreteiros mencionados na poesia, realmente existiram, assim como dezenas de outros que desfrutavam daquele local para descansar. DALTON.

ANITAS GARIBALDI

 

Somos todas Anitas guerreiras
e mostramos que somos capazes...
A razão é nossa canhoneira, porque,
nossa luta é uma luta de paz!...

Pelejando;
sem nos entregar,
muito menos sair dessa trilha,
seja lá o que venha a encontrar,
cruzaremos com nossas famílias.

Conservando os ideais farroupilha,
somos Anitas Garibaldi modernas:
não fazemos guerra, nem guerrilha,
somos eleitas
ou elegemos a quem nos governa.

Nossos cavalos,
nossa encilha,
nosso trono que caminha.
Nossos lares,
nossa realeza,
somos monarcas,
somos rainhas.


    
   l0 de janeiro de 2001.
                                   DALTON  RUIZ



Entusiasmado com um desfile das Anitas Garibaldi, que assisti num dia Sete de Setembro, eu resolvi compor um Hino para homenageá-las. Mas não só aquelas que desfilavam, todas as mulheres, (anitas), gaúchas e catarinenses, que com a mesma coragem e destemor enfrentam, hoje, a guerra do dia a dia, trabalhando fora, cuidando dos filhos, da casa, do marido e ainda responder por seus próprios atos como cidadãs responsáveis pela terra onde vivem, e principalmente sem perder o compromisso de enfeitar o mundo com a sua graça e a sua beleza.  O amor, a admiração, o carinho tudo que eu sinto pelas mulheres; no dia 19/09/07, vai fazer 48 anos que dedico única e exclusivamente a minha Anita Norma, da forma mais absoluta e prazerosa que existe no mundo. Eu gostaria dizer que esse hino já foi gravado em CD, com música e voz de Marcelo Dual, ao teclado, (lindo, lindo!), fosse transformado no hino das Anitas, em Santa Cat. no  Rio G. do Sul, orquestrado e gravado com voz feminina e que ele servisse de estímulo ao surgimento de um maior  número de piquetes de Anitas nos dois Estados a que ela pertenceu.