quinta-feira, 18 de agosto de 2011

AS COISAS QUE A GENTE GOSTA

Existem leis naturais,
Que fazem parte da vida.
Que não podem ser esquecidas
E requerem muita a tenção
Pois causam transformação
Aí não tem doutor que ajude
pois fazem mal à saúde.
a alma e ao coração.

Não se deve comer carne,
Churrasco, então, nem olhar,
Pois faz mal até em pensar.
viver  assim ninguém atura,
Sem churrasco e sem gordura.
Nordestino sem charque de sol,
Pois tem muito colesterol!
Somos pobres criaturas!...

Não comer essas gostosuras,
Imaginem só que tortura!...
Se o bom da vida é comer
e eu pergunto o que vai ser?
Está no sangue que corre nas veias
cobiçar a mulher alheia.
eu juro que não cobiço!...
Mas somente se for feia!...

É assim que se configura,
E que, também, infelizmente,
Inferniza a vida da gente
e configura o velho ditado
que faz do homem um pobre coitado
e torna essa vida uma bosta,
Pois, as coisas que a gente gosta,
ou engorda, ou é pecado.

DALTON  RUIZ        

              29 de abril de 2004.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A MÃE DO JUIZ PERDEU O STATUS

 

       Eu não sei exatamente porque, mas o gaúcho não admite ser chamado de “você”.   Porém respeito esse jeito de ser, como qualquer outra atitude, manifestação ou exigência cultural e/ou que faça parte das tradições do nosso povo.   Parece, contudo, que nem todas as pessoas pensam da mesma forma.  Quero fazer referência a alguns apresentadores de TV, que ao desrespeitarem essa exigência da tradição do seu próprio povo, quando dizem ao final da sua apresentação... “Um bom dia para você”,  “uma boa tarde ou uma boa noite para você”, conseguem o admirável feito de tirar da mãe do juiz o status de ser a mulher mais xingada do mundo.   A mãe do juiz de modo geral é xingada apenas pela metade dos torcedores presentes em um estádio de futebol e que por considerar que o mediador da partida prejudicou o time do qual são torcedores, enquanto que o apresentador gaúcho quando se despede do seu público chamando-o de “você”, é o Rio Grande inteiro que estufa o peito e diz; “você” é a puta que te pariu seu filho/a da puta. Mas eu já ouvi coisa pior, como por exemplo, à lembrança “das partes” da velha no referido desagravo.

       É isso aí, por incrível que pareça a “mãe do juiz” não é mais a mulher mais xingada do mundo, agora, aqui no Rio Grande do Sul pelo menos a Mãe de certos “apresentadores de programa de TV, é quem representa a profissão mais antiga da face da terra, a de Prostituta”.
   
17 de maio de 2008.


                                                          DALTON  RUIZ

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O MATE DA RAINHA

Acabei de cevar um mate,
com a erva mais buenacha que tinha.
O primeiro é da minha prenda,
que lá em casa é a rainha.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A MUIÉ VÉIA AGARRÔ CRIA

Procurei uma parteira,
uma tal de Sia Maria.
Eu estou desconfiado
que a muié-véia agarrô cria,
pois não vem o boi pra ela,
faz mais de 60 dias.

Tem pouco mais de 20 anos
o primeiro que se fez,
mas contando a fiarada,
tem pra mais de 16.
Não sei como é que essa danada,
tá cuberta outra vez.

A muié véia  agarrô  cria;
 Não sei como é que essa danada,
tá coberta outra vez.

Eu reclamo, ela embrabece!
--Já te disse quantas veiz,  (vezes)
começas de brincadeira
depois perde a lucideiz.  (lucidez)
É mió tu fica queto, pois,   (quieto)
do mesmo jeito que os outros,
  esse, também, foi  tu quem fez.

Sia Maria já me disse...
--Pode ser que seja a idade
que agora chegou de vêis.  (vez)
A muié nunca mais se cobre,
nunca mais tem gravideis.  (gravidez)
Aí vai ser o tempo todo
todo, todo pra voceis.  (vocês)
Já pensô?...  Que coisa loca,  
o caalo (cavalo) Cabeção,
na cancha reta das macegas...
Vai e vem, pedindo  boca.
Naquele baita larga e pega,
naquele  baita larga e pega,
até chegar a ocasião.

Monólogo falado:
Mascando e ringindo os dentes,
como se fosse um marrão.
Ruum, rum, rum... (bis);
Bleak, bleak, bleak…(bis).
Mais aí sim!...  Eu vou lavá a égua!... 

Me passou pela idéia;
vai ser bom barbaridade,
tomara que a muié veia,
avançada na idade
já tenha ficado veia;
sem vencer a validade,
vai ser bom barbaridade!
Então deixa com marrão véio, aqui.
Ruum, rum, rum...
Belak, bleak, bleak...
 
 20 de fevereiro de 2001.


   DALTON RUIZ

quinta-feira, 2 de junho de 2011

C A C H A Ç A


Quem quiser os meus conselhos,
esta é a ocasião.
Não existe o que eu não faça
pra ver contente um irmão.

Quem quiser os meus conselhos,
Além de bons, os são de graça;
por que tens que beber leite
se é melhor beber cachaça.

Diz, que serei teu espelho,
conta pra mim a tua mágua
Enche a cara de cachaça
e para de beber água.

Como um filhote de pássaro,
a saúde é uma penugem,
se beberes só cachaça,
estarás livre da ferrugem.

Bebe um traguinho,
um traguinho meu irmão.
Começa de vagarinho,
depois vira um beberrão!

A cachaça é coisa boa,
em qualquer ocasião...
Ela aquece no inverno
e refresca no verão! 

26 de outubro de 2009.

                         Dalton Ruiz

quinta-feira, 28 de abril de 2011

CLONARAM A MINHA SOGRA


Clonaram, a minha sogra,
fizeram dez velhas iguais;
já não agüentava uma,
como vou agüentar mais.

Foi uma praga que caiu,
bem aqui na minha cabeça!
Como é que eu vou fazer,
pra que elas desapareçam.


A ciência me tirou,
todo, todo o meu sossego...
por isso, ao diabo que as copiou,
eu estou pedindo arrego.

Acredito na ciência,
da Divindade sou temente,
mas a ciência, muitas vezes,
inferniza a vida da gente.
Ter mais do que uma sogra,
isso eu sei que não vai dar!
A vida vira uma droga,
impossível de agüentar!...

Comem tudo que aparece,
nem refri, me sobra um pingo.
Eu vou fazer uma prece,
que me ajude, São Domingos.

Essas diabas vão embora,
ou eu vou devolver a filha!
Afinal dizem que a sogra
nem é membro da família.

Foi a ciência.
Foi a ciência.
Quem criou a tal clonagem,
não sei em que, viram vantagem,
a existência do que não presta,
fazer dobragem 

 Refrão:
Onze sogras, meu compadre,
eu nem gosto de pensar, 
minha vida, está uma droga,
não sei se vou agüentar. 


         São Jerônimo, l8 de abril de 2002.



                      DALTON RUIZ

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Pedido

Num determinado dia do ano de 2007, esteve aqui na minha casa uma senhora (pessoa conhecida minha, que, contudo, até hoje eu não sei o nome dela), pedindo que eu escrevesse alguma coisa para que ela dissesse ao seu filho Fabrício que ia se casar no dia 27 de janeiro.    Missão quase impossível, que na medida das minhas limitações, eu tratei de atender ao pedido daquela mãe.


          O  MEU  GURIZINHO


  Olhem só o meu gurizinho,

   ontem se batizando,
   hoje, outra vez na igreja,
 ficou homem, já está se cansando.

    As noites que passei acordada,
    por qualquer um mover-se à caminha,
    valeram, pois agora, me pões encantada
    dando-me, hoje, mais uma filhinha.

    E é dela que eu quero falar...
    Dedica, a ela, toda a tua bondade!
    Apenas nela tu deves pensar,
    dando-se, sempre, um para o outro,
    a felicidade haverão de encontrar. 
                         

FABRÍCIO,  o casamento, meu filho, pode ser considerado como o primeiro passo dado por quem deseja encontrar a felicidade.   Há, porém, que lembrar, que tudo depende do amor.   Sendo aí, justamente, o ponto capital da questão, pois a exigência da carne, a paixão, confunde os sentimentos, o desejo de se possuírem é confundido, quase sempre, com o Amor. Coisas, aliás, completamente diferentes uma da outra.  Como muito bem diz a filosofia popular;  No amor a pessoa se dá à outra, para completá-la.   Na paixão ela deseja possuir a outra para se completar.   Por isso meu filho, deves lembrar sempre, que amor é doação.  Havendo reciprocidade, um dando-se inteiramente ao outro, em qualquer situação, na alegria ou na tristeza, vivendo juntos, numa cumplicidade total, querendo sempre o melhor para o outro e ambos para os filhos que hão de vir, a felicidade há de ser total e completa, porque nós teus familiares teremos nosso contentamento, nosso êxito confirmado pela formação que demos aos nossos filhos.   
                           
                     27 de janeiro de 2007.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

P I A Z I T O


QUANDO O MEU NETO – GABRIEL ERA NENEZINHO A MARILiA MINHA FILHINHA, DEIXAVA ELE AQUI EM CASA PARA QUE A VÓ NORMINHA CUIDASSE DELE ENQUANTO ELA IA TRABALHAR, CABIA, ENTÃO AO VÔ FAZER ELE DORMIR.  A ÚNICA MÚSICA DE NINAR QUE EU CONHECIA ERA O “BOI DA CARA PRETA”, MAS EU NÃO GOSTAVA E NÃO GOSTO DESSA MÚSICA, ALÉM DO QUE EU SEMPRE ACHEI QUE DEVERIA TER UMA MÚSICA DE NINAR DE ESTILO GAUCHESCO.  DAÍ QUE EU ENQUANTO EMPURRAVA O CARRINHO PARA FAZER O PIÁ DORMIR IA COMPONDO E CANTANDO O PIAZITO.



PIAZITO 
  
Dorme, dorme piazito,
dorme, dorme meu piá ...
Boitatá, só sai à noite,
que é prá mode de assustar.

Dorme, dorme piazito,
dorme, dorme meu piá...
Bota fogo, pelas ventas,
pra ninguém poder laçar.

Boitatá saiu das sombras,
ninguém sabe de onde veio...
Eu vou botar os meus tentos
e levar prô meu rodeio.

Aperto de contra a cerca
e eu fico mais pelo meio;
vou pealar de sobre lombo,
oigalê!  tombo bem feio!

Este boi, “bola de fogo”,
que se chama boitatá,
se não queimasse a carreta,
eu ensinava ele a puxar.

Boitatá, não tem as guampas,
para enfiar o ajojo,
por não ser filho de vaca
nunca mamou um apojo!...

l5 de julho de l998.

                         DALTON RUIZ