sábado, 28 de janeiro de 2012

DORME MINHA PRENDINHA

 Pelo fato de não conhecer nenhuma música de ninar de estilo gauchesco, como se as crianças gaúchas não tivessem sentimento nem tivessem um papai, um vovô para cantar uma musiquinha que lhes causassem um pensamento gostoso para começar um belo sonho na hora de dormir.   E isso sempre me causou desagrado porque o meu gauchismo nunca esteve nas minhas pilchas, (mesmo porque nunca tive uma para vestir, pois eu sempre andei vestido com as sobras do meu irmão mais velho), o meu gauchismo que considero grande e sinto orgulho dele, pois apesar de ninguém saber que ele existe, ele é do tamanho do Rio Grande.   Em função disso, eu resolvi fazer uma música de ninar para as minhas netinhas.  A Nicole, a Isadora e a Manuela.  São três flores, três amores, três razões de viver.  Para compor essa musiquinha eu escolhi como tema a história da Salamanca do Jarau de Simões Lopes Neto.

       DORME MINHA PRENDINHA


Refrão:
Dorme, dorme, dorme minha prendinha.
Dorme, dorme, dorme minha prendinha.
Dorme, dorme, dorme,  dorme prenda minha.

Dorme, dorme, dorme;
tem que dormir pra sonhar...
Sonhar, com a princesinha;
lá no além-mar transformada,
demudada, em teiniaguá!

Dorme, dorme, dorme;
dorme e sonha, prendinha,
com o gaúcho Blau,
libertando a, moura, princesinha,  
na Salamanca do Jaráu.

Guardando a boca da Furna,
deixou de ser o sacristão.
Séculos, anos e longas horas noturnas;
somente um grande amor,
alimentava-lhe o coração.

Blau Nunes
alma forte,
coração sereno,
despido de ambição,
Pra ser grande,
fez-se pequeno.
Assim salvou, a princesinha
e o seu amor pelo Sacristão.

                     26 de junho de 2002.
                                      Vovô

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

AS COISAS QUE A GENTE GOSTA

Existem leis naturais,
Que fazem parte da vida.
Que não podem ser esquecidas
E requerem muita a tenção
Pois causam transformação
Aí não tem doutor que ajude
pois fazem mal à saúde.
a alma e ao coração.

Não se deve comer carne,
Churrasco, então, nem olhar,
Pois faz mal até em pensar.
viver  assim ninguém atura,
Sem churrasco e sem gordura.
Nordestino sem charque de sol,
Pois tem muito colesterol!
Somos pobres criaturas!...

Não comer essas gostosuras,
Imaginem só que tortura!...
Se o bom da vida é comer
e eu pergunto o que vai ser?
Está no sangue que corre nas veias
cobiçar a mulher alheia.
eu juro que não cobiço!...
Mas somente se for feia!...

É assim que se configura,
E que, também, infelizmente,
Inferniza a vida da gente
e configura o velho ditado
que faz do homem um pobre coitado
e torna essa vida uma bosta,
Pois, as coisas que a gente gosta,
ou engorda, ou é pecado.

DALTON  RUIZ        

              29 de abril de 2004.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A MÃE DO JUIZ PERDEU O STATUS

 

       Eu não sei exatamente porque, mas o gaúcho não admite ser chamado de “você”.   Porém respeito esse jeito de ser, como qualquer outra atitude, manifestação ou exigência cultural e/ou que faça parte das tradições do nosso povo.   Parece, contudo, que nem todas as pessoas pensam da mesma forma.  Quero fazer referência a alguns apresentadores de TV, que ao desrespeitarem essa exigência da tradição do seu próprio povo, quando dizem ao final da sua apresentação... “Um bom dia para você”,  “uma boa tarde ou uma boa noite para você”, conseguem o admirável feito de tirar da mãe do juiz o status de ser a mulher mais xingada do mundo.   A mãe do juiz de modo geral é xingada apenas pela metade dos torcedores presentes em um estádio de futebol e que por considerar que o mediador da partida prejudicou o time do qual são torcedores, enquanto que o apresentador gaúcho quando se despede do seu público chamando-o de “você”, é o Rio Grande inteiro que estufa o peito e diz; “você” é a puta que te pariu seu filho/a da puta. Mas eu já ouvi coisa pior, como por exemplo, à lembrança “das partes” da velha no referido desagravo.

       É isso aí, por incrível que pareça a “mãe do juiz” não é mais a mulher mais xingada do mundo, agora, aqui no Rio Grande do Sul pelo menos a Mãe de certos “apresentadores de programa de TV, é quem representa a profissão mais antiga da face da terra, a de Prostituta”.
   
17 de maio de 2008.


                                                          DALTON  RUIZ

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O MATE DA RAINHA

Acabei de cevar um mate,
com a erva mais buenacha que tinha.
O primeiro é da minha prenda,
que lá em casa é a rainha.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A MUIÉ VÉIA AGARRÔ CRIA

Procurei uma parteira,
uma tal de Sia Maria.
Eu estou desconfiado
que a muié-véia agarrô cria,
pois não vem o boi pra ela,
faz mais de 60 dias.

Tem pouco mais de 20 anos
o primeiro que se fez,
mas contando a fiarada,
tem pra mais de 16.
Não sei como é que essa danada,
tá cuberta outra vez.

A muié véia  agarrô  cria;
 Não sei como é que essa danada,
tá coberta outra vez.

Eu reclamo, ela embrabece!
--Já te disse quantas veiz,  (vezes)
começas de brincadeira
depois perde a lucideiz.  (lucidez)
É mió tu fica queto, pois,   (quieto)
do mesmo jeito que os outros,
  esse, também, foi  tu quem fez.

Sia Maria já me disse...
--Pode ser que seja a idade
que agora chegou de vêis.  (vez)
A muié nunca mais se cobre,
nunca mais tem gravideis.  (gravidez)
Aí vai ser o tempo todo
todo, todo pra voceis.  (vocês)
Já pensô?...  Que coisa loca,  
o caalo (cavalo) Cabeção,
na cancha reta das macegas...
Vai e vem, pedindo  boca.
Naquele baita larga e pega,
naquele  baita larga e pega,
até chegar a ocasião.

Monólogo falado:
Mascando e ringindo os dentes,
como se fosse um marrão.
Ruum, rum, rum... (bis);
Bleak, bleak, bleak…(bis).
Mais aí sim!...  Eu vou lavá a égua!... 

Me passou pela idéia;
vai ser bom barbaridade,
tomara que a muié veia,
avançada na idade
já tenha ficado veia;
sem vencer a validade,
vai ser bom barbaridade!
Então deixa com marrão véio, aqui.
Ruum, rum, rum...
Belak, bleak, bleak...
 
 20 de fevereiro de 2001.


   DALTON RUIZ

quinta-feira, 2 de junho de 2011

C A C H A Ç A


Quem quiser os meus conselhos,
esta é a ocasião.
Não existe o que eu não faça
pra ver contente um irmão.

Quem quiser os meus conselhos,
Além de bons, os são de graça;
por que tens que beber leite
se é melhor beber cachaça.

Diz, que serei teu espelho,
conta pra mim a tua mágua
Enche a cara de cachaça
e para de beber água.

Como um filhote de pássaro,
a saúde é uma penugem,
se beberes só cachaça,
estarás livre da ferrugem.

Bebe um traguinho,
um traguinho meu irmão.
Começa de vagarinho,
depois vira um beberrão!

A cachaça é coisa boa,
em qualquer ocasião...
Ela aquece no inverno
e refresca no verão! 

26 de outubro de 2009.

                         Dalton Ruiz

quinta-feira, 28 de abril de 2011

CLONARAM A MINHA SOGRA


Clonaram, a minha sogra,
fizeram dez velhas iguais;
já não agüentava uma,
como vou agüentar mais.

Foi uma praga que caiu,
bem aqui na minha cabeça!
Como é que eu vou fazer,
pra que elas desapareçam.


A ciência me tirou,
todo, todo o meu sossego...
por isso, ao diabo que as copiou,
eu estou pedindo arrego.

Acredito na ciência,
da Divindade sou temente,
mas a ciência, muitas vezes,
inferniza a vida da gente.
Ter mais do que uma sogra,
isso eu sei que não vai dar!
A vida vira uma droga,
impossível de agüentar!...

Comem tudo que aparece,
nem refri, me sobra um pingo.
Eu vou fazer uma prece,
que me ajude, São Domingos.

Essas diabas vão embora,
ou eu vou devolver a filha!
Afinal dizem que a sogra
nem é membro da família.

Foi a ciência.
Foi a ciência.
Quem criou a tal clonagem,
não sei em que, viram vantagem,
a existência do que não presta,
fazer dobragem 

 Refrão:
Onze sogras, meu compadre,
eu nem gosto de pensar, 
minha vida, está uma droga,
não sei se vou agüentar. 


         São Jerônimo, l8 de abril de 2002.



                      DALTON RUIZ

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Pedido

Num determinado dia do ano de 2007, esteve aqui na minha casa uma senhora (pessoa conhecida minha, que, contudo, até hoje eu não sei o nome dela), pedindo que eu escrevesse alguma coisa para que ela dissesse ao seu filho Fabrício que ia se casar no dia 27 de janeiro.    Missão quase impossível, que na medida das minhas limitações, eu tratei de atender ao pedido daquela mãe.


          O  MEU  GURIZINHO


  Olhem só o meu gurizinho,

   ontem se batizando,
   hoje, outra vez na igreja,
 ficou homem, já está se cansando.

    As noites que passei acordada,
    por qualquer um mover-se à caminha,
    valeram, pois agora, me pões encantada
    dando-me, hoje, mais uma filhinha.

    E é dela que eu quero falar...
    Dedica, a ela, toda a tua bondade!
    Apenas nela tu deves pensar,
    dando-se, sempre, um para o outro,
    a felicidade haverão de encontrar. 
                         

FABRÍCIO,  o casamento, meu filho, pode ser considerado como o primeiro passo dado por quem deseja encontrar a felicidade.   Há, porém, que lembrar, que tudo depende do amor.   Sendo aí, justamente, o ponto capital da questão, pois a exigência da carne, a paixão, confunde os sentimentos, o desejo de se possuírem é confundido, quase sempre, com o Amor. Coisas, aliás, completamente diferentes uma da outra.  Como muito bem diz a filosofia popular;  No amor a pessoa se dá à outra, para completá-la.   Na paixão ela deseja possuir a outra para se completar.   Por isso meu filho, deves lembrar sempre, que amor é doação.  Havendo reciprocidade, um dando-se inteiramente ao outro, em qualquer situação, na alegria ou na tristeza, vivendo juntos, numa cumplicidade total, querendo sempre o melhor para o outro e ambos para os filhos que hão de vir, a felicidade há de ser total e completa, porque nós teus familiares teremos nosso contentamento, nosso êxito confirmado pela formação que demos aos nossos filhos.   
                           
                     27 de janeiro de 2007.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

P I A Z I T O


QUANDO O MEU NETO – GABRIEL ERA NENEZINHO A MARILiA MINHA FILHINHA, DEIXAVA ELE AQUI EM CASA PARA QUE A VÓ NORMINHA CUIDASSE DELE ENQUANTO ELA IA TRABALHAR, CABIA, ENTÃO AO VÔ FAZER ELE DORMIR.  A ÚNICA MÚSICA DE NINAR QUE EU CONHECIA ERA O “BOI DA CARA PRETA”, MAS EU NÃO GOSTAVA E NÃO GOSTO DESSA MÚSICA, ALÉM DO QUE EU SEMPRE ACHEI QUE DEVERIA TER UMA MÚSICA DE NINAR DE ESTILO GAUCHESCO.  DAÍ QUE EU ENQUANTO EMPURRAVA O CARRINHO PARA FAZER O PIÁ DORMIR IA COMPONDO E CANTANDO O PIAZITO.



PIAZITO 
  
Dorme, dorme piazito,
dorme, dorme meu piá ...
Boitatá, só sai à noite,
que é prá mode de assustar.

Dorme, dorme piazito,
dorme, dorme meu piá...
Bota fogo, pelas ventas,
pra ninguém poder laçar.

Boitatá saiu das sombras,
ninguém sabe de onde veio...
Eu vou botar os meus tentos
e levar prô meu rodeio.

Aperto de contra a cerca
e eu fico mais pelo meio;
vou pealar de sobre lombo,
oigalê!  tombo bem feio!

Este boi, “bola de fogo”,
que se chama boitatá,
se não queimasse a carreta,
eu ensinava ele a puxar.

Boitatá, não tem as guampas,
para enfiar o ajojo,
por não ser filho de vaca
nunca mamou um apojo!...

l5 de julho de l998.

                         DALTON RUIZ     

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O ZIDÃO É BIXO

Que belo exemplo de vida
toma hoje esta cidade!
Jamais se dá por vencida
é uma mostra de qualidade.

Mas o Zidão é assim mesmo,
está na raça, muito arrocho,
braço forte, cabeça erguia,
cuião grande e muito roxo.

Não tem nada de mais no que eu disse...
É verdade! Verdade verdadeira.
Ela era a mulher e o homem da casa!
Portanto, se é verdade, não é besteira!...

Para ser assim como a Zilda,
sabe, lá, o que é que eu acho?
Corajosa, valente, destemida,
Se for homem... Tem que ser é muito macho!...


 10 de dezembro de 2002.


                            DALTON RUIZ 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A VIDA DE SÃO JERÔNIMO E AS SAGRADAS ESCRITURAS

A revista VEJA, em sua edição de n l.833, de 17 de dezembro de 2003, tece um comentário a respeito da Bíblia, cujo título é “UM SANTO NEGÓCIO”.   Dá, ainda, na mesma edição, algumas informações: O Brasil já é o maior produtor mundial de Bíblias; desde a invenção da imprensa por Gutenberg, por volta do ano de l.440, a Bíblia mantém-se inabalável no posto de maior best-seller da história; segundo a Câmara Brasileira do Livro, em 2002 as editoras nacionais imprimiram nada menos do que 8,6 milhões de exemplares do  Livro Sagrado, ultrapassando os R$ 95.000.000,00;  encontram-se  atualmente no país doze traduções diferentes das Escrituras, que são exportadas para mais de 200 países       
                      A Bíblia, como ficou muito claro pelos dados fornecidos através da reportagem da Revista Veja, é o livro mais portado e lido no mundo Ocidental e com larga penetração nos países do Oriente. Mas o que chama a atenção é que o número de pessoas que levam, pregam ou simplesmente lêem a Bíblia, é quase tão grande quanto o numero de pessoas que nunca parou para pensar; como foi possível estar esse livro, aqui em minhas mãos, escrito em português, ou em que idioma tenha sido escrito, se os seus originais, foram escritos em: hebraico, aramaico e grego.  É evidente que se alguma coisa foi escrita em um idioma diferente daquele que é conhecido do leitor é porque houve uma tradução.   Ocorre que nesse caso, o inusitado da coisa está em que o feito é de uma complexidade tão grande, que provavelmente até mesmo hoje, com toda a tecnologia disponível, com o uso de computadores além de material didático de última geração, usado por professores e técnicos da mais alta capacidade, adquirida em escolas e laboratórios competentes para descobrir qualquer segredo, não só na terra como em qualquer parte do universo, dispondo, ainda, de cerca de l.700 anos a mais para realizar essa tarefa, pois mesmo assim, com todos esses adiantamentos, talvez o ser humano ainda não tenha condições de fazer a tradução da Bíblia dispondo apenas dos elementos originais, dados, à época, ao seu tradutor, pois das três línguas antes citadas, duas pelo menos, à época eram consideradas mortas.        O HEBRAICO, língua semítica do tronco Cananeu, (A língua de Canaã antes da conquista Israelita, e cuja evolução originou o idioma Hebraico), através da qual foi escrita grande parte da Bíblia, (especialmente o Novo Testamento) e que naquela época (época da sua tradução, iniciada por volta do ano 383), era considerada uma língua morta, tendo, somente em fins do século XIX, voltado a ser falada novamente, com o SIONISMO, (movimento político religioso) que visava o restabelecimento, na Palestina, de um Estado Judaico e que se tornou vitorioso em maio de l.948.  O hebraico, é hoje, a língua oficial do Estado de Israel. O  ARAMAICO, (língua falada pelos arameus entre os anos 650 a 300 a. C.), também considerada morta por vários séculos, é hoje falada no Irã, Iraque e na Síria, porém, o neo-aramaico ou neo-siríaco, ou seja, um aramaico moderno e que possui registros e características oficiais naqueles países; e o  GREGO idioma indo-europeu,  que embora  nunca tenha deixado de existir como idioma, é muito pouco difundido no mundo até hoje, bem como muito pouco falado fora da Grécia e na parte grega da Ilha de Chipre.      
                      Evidentemente, que se um livro foi escrito originalmente em três idiomas, entre os quais, dois pelo menos eram considerados línguas mortas, (à época da tradução da Bíblia) e o outro encerrando em si uma complexidade tão grande que não seria exagero considera-lo, na ocasião, como indecifrável, a fim de traduzir para o Latim, em função do grande número de influências externas criadas pelas alterações acontecidas por causa dos dialetos que o cercava e por via de conseqüências geram um número muito grande de dificuldades para realizar a referida tradução, que, quem sabe, nem mesmo os super computadores da “NASA” e os seus cientistas pudessem fazer essa tradução, pois a referida obra ao que tudo indica, não dependia somente de conhecimentos ao alcance do homem, mas também de coisas que somente o Espírito Santo sabe e em seus desígnios deu apenas ao seu escolhido, São Jerônimo.               
                      A respeito da tradução da Bíblia, feita por São Jerônimo, Clemente VIII afirma que ele foi assistido e inspirado pelo Espírito Santo.  Tornando-se, por esse motivo, a tradução oficial da Igreja.   São dele as palavras: “Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”.  Pensando nisso, parece importante lembrar que se, não tivesse São Jerônimo sob a assistência e inspiração do Divino Espírito Santo, quando realizou a tradução das Sagradas Escrituras, certamente Elas nem fossem mais lembradas nos dias de hoje, porque jamais seriam entendidas  e as coisas que não são entendidas caem no esquecimento.     
                     São Jerônimo é o maior Doutor da Igreja Católica, sustentáculo do cristianismo, pois sem o seu trabalho, certamente esse já teria desaparecido, filho muito querido de Cristo, que o formou para dar continuidade à sua Doutrina. Nasceu na Dalmácia, (Iugoslávia), no ano de 340, de pais cristãos, nobres e muito ricos. 
                     A vida de São Jerônimo é tão extraordinária que   se torna impossível resumi-la em poucas páginas, (os trabalhos a respeito da vida dele, hoje disponíveis, superam as cinco mil folhas, segundo informação).    Dele diz o eminente jesuíta, Pe. Pedro Ribadaneira, discípulo e biógrafo de Santo Inácio de Loyola. “Foi eloqüentíssimo, sapientíssimo nas línguas e ciências humanas e divinas; na vida, espelho de penitência e santidade; luz da igreja e singular intérprete da Divina Escritura, martelo dos hereges, amparo dos católicos, mestre de todos os estados e condições de vida e luzeiro do mundo”. (Dr. Eduardo Maria Vilarrasa. La LevendaCompañia. Barcelona. 1897). 
                     Numa era muito conturbada para a Igreja, como  foi o final do século IV e a primeira metade do século V, surgiram simultaneamente na cristandade grandes luzeiros de santidade e ciência, tanto no Oriente como no Ocidente: Santo Hilário - Bispo de Poitiers, Santo Ambrósio - de Milão, o grande Santo Agostinho - “Águia de Hipona” que com São Jerônimo, formam o ilustre grupo dos chamados Quatro Grandes Padres da Igreja Latina daquela época. 
                     Dotado de precoces aptidões para os estudos, o pai mandou Jerônimo, ainda adolescente para estudar em Roma, então capital do mundo civilizado.  Na cidade eterna, dedicou-se ao estudo da gramática, retórica e filosofia.   Tal era o seu gosto pelos escritores clássicos, que formou para si rica biblioteca, copiando a mão os livros que não conseguia obter.   Com dor, reconheceria depois, que em sua inexperiência tornou-se vítima do ambiente mundano da grande e decadente metrópole, extraviando-se do bom caminho.  Deus permitiu que o demônio o assaltasse constantemente com tentações da carne; e para combatê-las, Jerônimo dilacerava seu corpo e entregava-se a jejuns que duravam às vezes semanas inteiras.     Porém ao mesmo tempo declara que seu passatempo aos domingos consistia em visitar as catacumbas e as relíquias dos mártires, além de ser catecúmeno, (que se prepara e instrui para o batismo), pois, a época, a pessoa recebia o santo batismo já quase na idade adulta.      
                     Foi batizado aos 25 anos pelo Papa Libério, em Roma.   Depois de batizado, Jerônimo juntamente com bonoso, seu irmão de Leite, empreendeu uma viagem de estudos as Gàlias.   Em Treveris, onde havia uma das academias mais doutas do Ocidente, decidiu entregar-se inteiramente ao serviço de Deus. Continuou entretanto sua viagem de estudos pelo Grécia e cidades do Oriente Médio.   Aproveitou então para aprender o hebreu com  um judeu converso, a fim de poder melhor estudar as Sagradas Escrituras em seus originais que havia disponíveis na sede da Igreja, em Roma.  
                     Afirma ele em uma de suas cartas: “as fadigas que isso me causou e os esforços que me custaram, só Deus sabe  quantas vezes desanimei, quantas voltei atrás e tornei a começar pelo desejo de saber; sei-o eu que passei por isso, e sabem-no também os que viviam na minha companhia.  Agora dou graças ao Senhor, pois que colho os saborosos frutos das raízes amargas dos estudos”. (pe. José leite, Santos de Cada Dia, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 1987, vol. III, p. 104).      Foi um grande escritor do seu tempo, capaz de pensar em latim, grego e hebraico.
                     Era escritor, filósofo, teólogo, retórico, gramático, dialético, historiador e exegeta.  Glossário:  (filósofo aquele que se caracteriza pela intenção de ampliar a compreensão da realidade, no sentido de entende-la na sua totalidade) - (teólogo aquele que estuda de forma racional os textos sagrados, os dogmas e as tradições do cristianismo) - (retórico os oradores aqueles que usam a linguagem de forma eloqüente persuasiva) - (dialético aquele que possui a arte de dialogar, de argumentar, de discutir com a intenção de se fazer entender) - (exegeta aquele que busca esclarecimento ou minuciosa interpretação de textos ou livros, especialmente aplica-se a Bíblia).   
                     Sua primeira inserção nos quadros da Igreja foi como monge.   Com 30 anos de idade, recebeu em Antioquia a ordenação sacerdotal, sob a condição de não ficar sujeito a nenhuma diocese e continuar monge como antes.
                     Dirigiu-se, depois a Constantinopla, para ver e ouvir São Gregório Nanzianzeno, conhecido por sua erudição, como teólogo.   Lá permaneceu três anos, travando amizade também com os grandes luminares da Igreja Ocidental, São Basílio e seu irmão São Gregório de Nissa.
                     As heresias pululavam, principalmente no Oriente, e tal era a confusão que o Imperador Teodósio e o Papa Damaso resolveram convocar um sínodo (assembléia de Bispos do mundo inteiro, convocada e presidida pelo Papa)  em Roma.   São Jerônimo foi convidado a dele participar.  Tendo sido escolhido para desempenhar a função de secretário, no lugar de Santo Ambrósio, que adoecera.   Terminado o sínodo, São Damaso conservou Jerônimo como seu secretário.   Na condição de secretário particular do Papa, Jerônimo foi encarregado de realizar a tradução da Bíblia para o Latim. Essa obra ficou conhecida como Vulgata (do latim “vulgare”, que significa uso comum).   Foi encarregado também pelo Papa de responder a todas as questões que se referissem à religião, de esclarecer as dificuldades e relacionamentos entre as igrejas e as dioceses, de prescrever àqueles que voltavam das heresias o que deveriam crer ou não e de estabelecer, para isso, regras e fórmulas. (Lês Petits Bollandistes, Viés dês Saints, d’après le Père Giry, par Mgr. Paul Guérin, Bloud et Barral, Libraires – Éditeurs, Paris, 1882, tono XI, p. 565).
                  Enquanto viveu São Damaso, Jerônimo permaneceu em Roma.  “Todos acorriam a ele, e cada qual procurava ganhar-lhe a vontade: uns louvavam sua santidade, outros a doutrina, outros sua doçura e trato suave e benigno.  Finalmente todos tinham postos os olhos nele como em um espelho de toda virtude, de penitência e oráculo de sabedoria. (Pe. Ribadaneira, op. cit. p. 645).        
                     Um grupo de senhoras e moças romanas da mais alta aristocracia colocou-se a sua disposição espiritual, entre elas: Santa Paula e suas filhas Paulina, Estóquia, Blesilla e Rufina; Santa Marcela, Albina, Asela, Leta e outras.   Para elas fundou um convento.  Converteu e atraiu, alguns homens, para os quais fundou, também, um mosteiro em Roma.  
                     Em 384 faleceu São Damaso, que era de origem espanhola nascido pelo ano de 305 e era irmão de Santa Irene.  Durante o seu pontificado houve uma explosão  de ritos, de orações, de peregrinações, com novas instituições litúrgicas e catequéticas, alem da nova versão da Bíblia, em latim (chamada Vulgata), feita por seu Secretário Particular.   São Jerônimo atesta que ele morreu com quase oitenta anos.  Foi sepultado no túmulo que ele mesmo havia preparado, humildemente, longe das cinzas dos mártires, ao longo da via Ardeatina.  Seus restos mortais foram exumados e levados à Igreja de São Lourenço em Damaso.  Após o passamento do  Papa Damaso, São Jerônimo deixou definitivamente Roma e voltou para a Terra Santa, estabelecendo-se  em Belém.  Seguiram-no Santa Paula e sua filha Eudóxia.  Com o rico patrimônio que dispunham, fundaram sob a sua direção, um mosteiro masculino e um convento dirigido por Santa Paula. São Jerônimo viveu 34 anos em Belém, período em que passou escrevendo obras notáveis, e dirigindo por correspondência, inúmera almas.
                     Houve um princípio de polêmica entre São Jerônimo e Santo Agostinho, por um mal entendido entre os dois doutores da Igreja.   Colocadas, as coisas, em seus devidos lugares, uma grande amizade cheia de respeito e admiração os uniu.                    
Jerônimo dizia que Santo Agostinho “era seu filho em idade e seu pai em dignidade” uma vez que era Bispo.  Por seu lado, o Bispo de Hipona escreveu-lhe: “li dois escritos vossos que me caíram nas mãos, e achei-os tão ricos e plenos que não quereria para aproveitar em meus estudos, senão poder estar sempre a vosso lado”.  (Edelvives, El Santo de Cada Día, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1955, tomo V, p. 307).
                     Entretanto, os bárbaros começaram suas grandes invasões.  Em 395, os ferozes Hunos, vindos pela Armènis, espalharam o terror no Ocidente chegando até o Egito.  Em 410, Alarico, rei dos Godos, destruiu cidades da Grécia e pilhou Roma.  Muitas famílias fugiram para a Terra Santa e foram socorridas por São Jerônimo e Santa Paula.
                     Todos se espantavam pelo fato de São Jerônimo, tão enfermo que tinha que ditar suas obras, pudesse produzir tanto em tão pouco tempo.  Em três dias, traduziu ele os Livros de Salomão, e num só dia verteu para o latim o livro de Tobias que estava em Caldaico.  Em 15 dias ditou os comentários sobre São Mateus.  Ao mesmo tempo ditava apologias do Cristianismo contra os erros dos hereges da época e refutações meticulosas de suas doutrinas.
                     “Que doutor da Igreja há que trate as coisas sagradas com tão grande majestade; as chãs com tanta erudição, as ásperas com tanta eloqüência, as obscuras com tanta luz, que assim se sirva de todas as ciências, divinas e humanas, para explicar e pôr aos nossos olhos os mistérios de nossa santíssima religião?”, pergunta um autor. (Pe. Ribadaneira, op. Cit. p. 644.).  
                      O empenho insuperável de São Jerônimo na tradução das Escrituras foi por ele mesmo assim descrito: “Cumpro o meu dever, obedecendo aos preceitos de Cristo que diz: examinai as Escrituras e procurai e encontrareis”, para que não tenhais de ouvir o que foi dito aos judeus: “Estais enganados, porque não conheceis as Escrituras nem o poder de Deus”.  Se, de fato, como diz o Apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, aquele que não conhece as Escrituras não conhece o poder de Deus nem a sua sabedoria.  Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo.  (Pe. José Leite, op. Cit. p. 106).
                   São Jerônimo morreu no dia 30 de setembro de 420                            
Avançado em idade e virtudes.  No mesmo dia apareceu a Santo Agostinho e desvendava-lhe o estado das almas bem-aventuradas  no Céu.


                           16 de dezembro de 2005.


                                         DALTON JOSÉ RUIZ

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Chá de panela

A tal festa do chá de panela,
não é daquelas que vai quem quer...
Pois nela não entra homem
é feita só pra mulher.


Ainda é cheia de alegria
                    e sempre muito animada.
                    A diferença é que hoje em dia,
                    quase sempre, “elas” são furadas! 

 

Na panela, fizeram comida
e o uso tirou-lhe o brilho.
As noivas foram fudidas
e, muitas vezes, tem até filhos!...


O cabaço, hoje, é um ausente,
possuí-lo, até serve de intriga,
o que interessa, são os presentes.
Honra, virgindade, já ninguém liga!...  


03 de março de l999.

 DALTON RUIZ

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

COLAR DE PÉROLAS

O mais belo colar de pérolas
daqueles de duas voltas!
Ao vê-lo ornamentar tua boca,
meu pensamento se solta.

Frenético, quase a perder o juízo!
vaidoso, contemplo, todo prosa!...
Prostrando-me à sorriso,
Aspiro, sua fragrância de rosas.

Meu coração quase pára,
quando sorris para mim.
Eu me sinto embevecido,
a razão, quase chegando ao fim.

O branco porcelanizado,
que eu vejo no teu sorriso,
é tudo de que preciso,
para viver encantado.

Comtemplativo, misterioso,
Misticamente irreal, desnaturado,
que, contudo, me mantém
docemente apaixonado.

Sublime, arca do meu tesouro;
não contendo diamantes lapidados,
nem mesmo metal como o ouro...
Apenas o teu sorrriso,
do mais belo branco perolizado.


      19 de setembro de 2009
DALTON RUIZ

No dia 19 de setembro de 1959, às 18:00 h, na igreja de N.S.da Conceição em S.Jerônimo, foi razada uma missa especial para  a realização do meu casamentocom a então senhorita Norma Ehlers.
50 anos depois embora o tempo tenha mudado nossas fisionamias, eu ainda a vejo da mesma forma, talvez assim, como num conto de fadas. Na minha retina ela continua sendo vista como numa fotografia, mantém-se sem qualquer alteração na sua imagemde menina moças 17 anos, tal qual ela era naquele dia.
A mesma doçura do seu olhar e a mesma beleza do seu sorriso

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

PETIÇO MINILIQUE


Eu tenho um petiço tostado,
malacara,  e o resto do pelo sem mancha.
Gordo e sempre bem encilhado,
me enche os bolsos de plata,
cada vez que eu vou numa cancha.

Meu petiço é bem domado
e só faz aquilo que eu deixo...
Por mim ele foi encilhado...
Eu mesmo botei-lhe  os arreios,
eu mesmo  quebrei-lhe o queixo 


Quando em vou visitar minha prenda 
a galopito estrada ha fora...
Pra que ele sempre me entenda,
não paro em bolichonem venda,
vou só beliscando na espora.


Meu petiço é bem domado,
cumprimentaestendendo a mão...
Sai galopeando de lado
e eu fico todo entonado,
vaidoso como um pavão.


No seu trotear balançado,
Ligeiro e sempre mui bem ferrado,
faisca os cascos no chão...
Parece estar ritmado,
o bater do meu coração.




            maio de 1983
DALTON RUIZ

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

MEU CORAÇÃO CABORTEIRO

Meu coração caborteiro,
me mete em cada entrevero!...
Vejam só o que ele me fez,
mal me livrei de uma china,
se apaixonou outra vez. 

Ando sempre complicado,
as voltas com esse danado!
Pode ser, até, que me engane,
mas acho que outra vez, esse infame,
encontrou o amor errado!

Acontece na vida da gente,
o destino nos põe na mão.
Foi assim que de repente,
sem saber o que ele sente,
me falseou o coração.

Sei que ninguém acredita,
outra vez aconteceu,
fiquei parado na fita,
foi só ver mulher bonita,
ele já estremeceu.

De cara ela é muito linda,
o  porte é de uma rainha,
de  corpo ela é uma beldade,
também,  muito boazinha,
mas  puta barbaridade!

Meu coração,  é  potro alçado,
e, sabe, sempre, onde se mete;
Nunca foi tocado por  diante,
Não se maneia em barbante
E nunca foi apertado num brete.

Quando pensarem que ele está  preso,
Parecendo  estourar de paixão,
e, que,  já foi pealado,
sai   galopeando  de lado,   
Tirando o laço das mãos.        


         23 de agosto de 1984

DALTON RUIZ