sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Pedido

Num determinado dia do ano de 2007, esteve aqui na minha casa uma senhora (pessoa conhecida minha, que, contudo, até hoje eu não sei o nome dela), pedindo que eu escrevesse alguma coisa para que ela dissesse ao seu filho Fabrício que ia se casar no dia 27 de janeiro.    Missão quase impossível, que na medida das minhas limitações, eu tratei de atender ao pedido daquela mãe.


          O  MEU  GURIZINHO


  Olhem só o meu gurizinho,

   ontem se batizando,
   hoje, outra vez na igreja,
 ficou homem, já está se cansando.

    As noites que passei acordada,
    por qualquer um mover-se à caminha,
    valeram, pois agora, me pões encantada
    dando-me, hoje, mais uma filhinha.

    E é dela que eu quero falar...
    Dedica, a ela, toda a tua bondade!
    Apenas nela tu deves pensar,
    dando-se, sempre, um para o outro,
    a felicidade haverão de encontrar. 
                         

FABRÍCIO,  o casamento, meu filho, pode ser considerado como o primeiro passo dado por quem deseja encontrar a felicidade.   Há, porém, que lembrar, que tudo depende do amor.   Sendo aí, justamente, o ponto capital da questão, pois a exigência da carne, a paixão, confunde os sentimentos, o desejo de se possuírem é confundido, quase sempre, com o Amor. Coisas, aliás, completamente diferentes uma da outra.  Como muito bem diz a filosofia popular;  No amor a pessoa se dá à outra, para completá-la.   Na paixão ela deseja possuir a outra para se completar.   Por isso meu filho, deves lembrar sempre, que amor é doação.  Havendo reciprocidade, um dando-se inteiramente ao outro, em qualquer situação, na alegria ou na tristeza, vivendo juntos, numa cumplicidade total, querendo sempre o melhor para o outro e ambos para os filhos que hão de vir, a felicidade há de ser total e completa, porque nós teus familiares teremos nosso contentamento, nosso êxito confirmado pela formação que demos aos nossos filhos.   
                           
                     27 de janeiro de 2007.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

P I A Z I T O


QUANDO O MEU NETO – GABRIEL ERA NENEZINHO A MARILiA MINHA FILHINHA, DEIXAVA ELE AQUI EM CASA PARA QUE A VÓ NORMINHA CUIDASSE DELE ENQUANTO ELA IA TRABALHAR, CABIA, ENTÃO AO VÔ FAZER ELE DORMIR.  A ÚNICA MÚSICA DE NINAR QUE EU CONHECIA ERA O “BOI DA CARA PRETA”, MAS EU NÃO GOSTAVA E NÃO GOSTO DESSA MÚSICA, ALÉM DO QUE EU SEMPRE ACHEI QUE DEVERIA TER UMA MÚSICA DE NINAR DE ESTILO GAUCHESCO.  DAÍ QUE EU ENQUANTO EMPURRAVA O CARRINHO PARA FAZER O PIÁ DORMIR IA COMPONDO E CANTANDO O PIAZITO.



PIAZITO 
  
Dorme, dorme piazito,
dorme, dorme meu piá ...
Boitatá, só sai à noite,
que é prá mode de assustar.

Dorme, dorme piazito,
dorme, dorme meu piá...
Bota fogo, pelas ventas,
pra ninguém poder laçar.

Boitatá saiu das sombras,
ninguém sabe de onde veio...
Eu vou botar os meus tentos
e levar prô meu rodeio.

Aperto de contra a cerca
e eu fico mais pelo meio;
vou pealar de sobre lombo,
oigalê!  tombo bem feio!

Este boi, “bola de fogo”,
que se chama boitatá,
se não queimasse a carreta,
eu ensinava ele a puxar.

Boitatá, não tem as guampas,
para enfiar o ajojo,
por não ser filho de vaca
nunca mamou um apojo!...

l5 de julho de l998.

                         DALTON RUIZ