sexta-feira, 17 de junho de 2011

A MUIÉ VÉIA AGARRÔ CRIA

Procurei uma parteira,
uma tal de Sia Maria.
Eu estou desconfiado
que a muié-véia agarrô cria,
pois não vem o boi pra ela,
faz mais de 60 dias.

Tem pouco mais de 20 anos
o primeiro que se fez,
mas contando a fiarada,
tem pra mais de 16.
Não sei como é que essa danada,
tá cuberta outra vez.

A muié véia  agarrô  cria;
 Não sei como é que essa danada,
tá coberta outra vez.

Eu reclamo, ela embrabece!
--Já te disse quantas veiz,  (vezes)
começas de brincadeira
depois perde a lucideiz.  (lucidez)
É mió tu fica queto, pois,   (quieto)
do mesmo jeito que os outros,
  esse, também, foi  tu quem fez.

Sia Maria já me disse...
--Pode ser que seja a idade
que agora chegou de vêis.  (vez)
A muié nunca mais se cobre,
nunca mais tem gravideis.  (gravidez)
Aí vai ser o tempo todo
todo, todo pra voceis.  (vocês)
Já pensô?...  Que coisa loca,  
o caalo (cavalo) Cabeção,
na cancha reta das macegas...
Vai e vem, pedindo  boca.
Naquele baita larga e pega,
naquele  baita larga e pega,
até chegar a ocasião.

Monólogo falado:
Mascando e ringindo os dentes,
como se fosse um marrão.
Ruum, rum, rum... (bis);
Bleak, bleak, bleak…(bis).
Mais aí sim!...  Eu vou lavá a égua!... 

Me passou pela idéia;
vai ser bom barbaridade,
tomara que a muié veia,
avançada na idade
já tenha ficado veia;
sem vencer a validade,
vai ser bom barbaridade!
Então deixa com marrão véio, aqui.
Ruum, rum, rum...
Belak, bleak, bleak...
 
 20 de fevereiro de 2001.


   DALTON RUIZ

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